
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Contato Virtual pela informação no combate a aids

terça-feira, 25 de novembro de 2008
Slow blogging
"Vc já ouviu falar em 'slow blogging'? Paginas atualizadas sem urgência? É um movimento lançado em 2006 que prega a rejeiçao ao imediatismo, ao excesso de informaçao e velocidade. O New York Times tem uma matéria sobre o assunto - diz que o movimento é inspirado em outro, o 'slow food', que critica o fast food por destruir tradicoes locais e hábitos alimentares saudáveis. Assim como o pessoal do slow food acredita que a comida deve ser local, orgânica e sazonal, o pessoal do slow blogging vê blogs de noticias que publicam 50 posts por dia como um restaurante de fast food. Ou seja, acham que é bom para o consumo ocasional, mas nao sustentam a longo prazo. Os que praticam o slow blogging atualizam suas páginas com pouca frequência, publicam pensamentos, ensaios - sem pressa, sem urgência. Clique aqui para ler no NYT, em inglês. 25/11 Blue Bus
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Jazzanova - Secret Love 5

Mas a coleção Secret Love foge um pouco de toda sonoridade normalmente associada ao Jazzanova. Isso porque a intenção inicial da banda era dar a sua idéia do que seria uma boa coletânea de folk com nomes, na maioria das vezes, desconhecidos, mas de grande potencial. E o resultado dessa idéia foi tão bom e vendeu tão bem que a série iniciada em 2004 já está no seu quinto volume. Se no começo o intuito era fechar no folk, com o passar dos anos o Secret Love foi abarcando outras sonoridades como o rock mais leve e ambiências eletrônicas da deep house com forte carga do soul, que é a especialidade da casa.
A questão aqui é: como conciliar materiais de espécies tão diferentes quanto a soul bossa “Deep Waters”do Recloose do pop rock setentista de “Love You Straight” do Pop Levi? Se poderia parecer um exercício estilístico dos mais intransponíveis para alguns djs, para o Jazzanova não é. Eles não só conciliam como o fazem em sequência, ajudando a difundir o que apelidaram de “new soul-folk”. Afinal, por que músicas muito boas de bandas tão dispares não poderiam estar juntas no mesmo playlist? É partindo desse conceito que o cd segue misturando a disco indie “Absynth” do Woolfie VS Projections com a enigmática “I Feel Electric” do The Rubies, que conta com a participação da cultuada cantora Feist nos vocais. Destaque também para os violinos e sintetizadores climáticos de “Broken Promises” do sensacional Quiet Village e para a canção “Estrela de Dos Caras” do Savath e Savalas, projeto do pessoal do Profuse 73. O folk de raiz, óbvio, não poderia mesmo faltar nessa edição e está bem representado aqui pelas belíssimas e tristes “Things I stole” do novato Choir of Young Believers e “Destruction of Ourselves” do irlandês Stee Downes, que fecha, com dignidade, o disco.
Com mais e mais djs abandonando a ortodoxia dos seus sets 4x4 pela necessidade de dar conta da diversidade de um mundo cada vez mais multicultural e interessante, a busca de convergências que sempre caracterizou o Jazzanova talvez seja uma chave para entender a ambição de ir além da fronteira originalmente traçada do folk. Secret Love 5 é uma boa coletânea com surpresas muito agradáveis que expressam claramente esse desejo. Yes, we can.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Deadbeats - Roots and Wire

Mais palatável e acessível do que o seu disco anterior, o sensacional Journey´s Annual, onde levava até as últimas conseqüências o seu atmosférico dub eletrônico com um pé fincado na Jamaica e outro no dub tecnho alemão, Roots and Wire revela um mix de culturas rico que nunca soa exótica ou meramente pitoresca. Há pesquisa profunda aqui e a mistura parece alcançar com precisão a síntese expressa no título do disco – Roots and Wire. Uma analogia do fio que une o ancestral ao digital em linha direta.
O Deadbeat é na verdade o produtor Scott Monteith, naturalmente canadense mas que atualmente vive em Berlin – como, me parece, mais ou menos 113 % das pessoas que fazem música atualmente na Europa. Roots and Wire é o seu sétimo lançamento e chega pelo selo canadense Wagon Repair, que tem em seu catálogo nomes bem conceituados como o Cobblestone Jazz, Minilogue, Ripperton e The Mole, entre outros.
Se no “Jornney’s” havia pouco espaço para as batidas 4x4, “Roots” parece se abrir mais para as possibilidades da pista de dança, agregando à fusão noções fundamentais da deep house e expandindo a dose de deep techno. O resultado, acredite, é incrivelmente coeso.
“Babylon Correction” abre os trabalhos com a atmosfera impregnada pelo cheiro de incenso e ganja. Um reggae letal que serve perfeitamente de introdução ao lado ‘raiz’ e prepara o ouvinte para os ‘fios’ que vêm a seguir. Na seqüência, surge o dub eletrônico “Rise”. Estruturalmente, é um dub como tantos outros, mas a riqueza de detalhes, o vocal marcante e o cuidado da produção fazem diferença aqui. É em “Deep Structure”, terceira faixa, que os aparentes contrastes parecem se unir para formar um discurso único. Pela primeira vez as batidas retas conduzem o groove e induzem à pista. Deep house de primeira. “Grounation” retoma o tribalismo presente em várias faixas anteriores do produtor para terminar num techno cheio de dub. Night Stepping volta ao som reto e se firma com uma ótima faixa de deep techno. O disco encerra com dois pontos altos: “Sun People (Dub Divisionaire)” e o excelente groove de “Xberg Ghosts”. É de maneira fluida que o Deadbeat vai transitando por diversos estilos, sempre com coerência e vontade de costurá-los todos mais como uma única camada de som do que como uma colcha de retalhos. Roots and Wire mostra que é possível fazer a tradição e a modernidade convergirem para o mesmo centro em prol de uma boa música.
Para ouvir:
http://www.myspace.com/deadbeatcomputermusic
Para baixar:
www.piratebay.org
www.mininova.org
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Air France - No Way Down

Venho ouvindo esse cd há uns 3 meses direto e sempre quis comentá-lo aqui. A desculpa veio na forma do recém lançado clip da misteriosa música “Windmill Wedding”, que fecha o disco. Assim como a canção, que parece mais parte da trilha sonora de algum filme (de Bergman?), o clip também sai da tradicional formula e se parece mais com um belo curta. Merece ser visto. (Basta clicar aqui). Junto com o The Embassy – tema de um futuro post –, o Air France é um contraditório sopro de ar quente vindo da gélida Suécia, uma pequena revolução que alimenta as nossas esperanças numa época em que a originalidade na música parece mais afeita ao simples do que ao imponderável.
http://www.myspace.com/theairfrance
Para baixar:
http://www.piratebay.org/
http://www.mininova.org/
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Duo Hilight

Para ouvir:
www.myspace.com/duohilight
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Apparat em Salvador

quinta-feira, 25 de setembro de 2008
"Parisian Goldfish" do Flying Lotus

Lembram quando falei que "Parisian Goldfish", do Flying Lotus, dava uma bela roda de break? Cheguei perto. O clip é quase isso, mas ainda melhor que a encomenda. Cheio de sexo explicito e flashes coloridos alucinantes. E o casal ai em cima bota qualquer fã de 'arrocha' pra corar. Para ver basta clicar aqui
Heartbreak - Lies / Ladyhawke - Ladyhawke


Ladyhawke e Heartbreak. Dois projetos, duas histórias, mas que em comum carregam o fato de serem exemplos da nostalgia do futuro que vem impregnando a música pop atual. Hoje, nesse tipo de música, parece que tão importante quanto homenagear suas influências é ser iguais a elas. Nesse processo, onde a linha que separa o bom do ruim é bastante tênue, o mais comum é que se caia na armadilha de forjar um som apenas derivativo, que vale mais pelo que ele lembra, do que pelo que ele realmente é. Vele dizer que manipular influências como forma de criar algo novo é um dom, mas raro.
Pelas idades dos integrantes dos projetos aqui mostrados é possível falar que nenhum deles vivenciou os anos 80 full lenght. Então, num esforço contraditório para soarem o mais moderno possível, eles se apegam ao passado ‘remoto’ como formar de gritar as suas referências e impor certo respeito através delas.
O Heartbreak, duo anglo-argentino que lança seu primeiro disco, constrói uma trilha totalmente calcada na ítalo disco dos anos 80. Uma disco mais melancólica feita por produtores –principalmente do norte – da Itália como Giorgio Moroder, Casco, Albert One e Café Society (sul africano), que no começo dos anos 80 faziam a festa das ‘danceterias’ de todo mundo. O gênero viveu seu ápice entre 83 e 85 e depois se degenerou até se transformar na euro house – uma outra história...Atualmente, o som vem ganhando nova atenção e adeptos em Londres graças a noites de sucesso como Cocadisco e Disco Bloodbath.
Como sub-gênero, a ítalo disco influenciou pesadamente, com seus sintetizadores melódicos e semi-distorcidos, o som de bandas importantes como New Order, Depache Mode, Pet Shop Boys e Human League. Ecos de todas essas bandas e produtores podem ser ouvidos aqui em “Lies”, um disco que se aproveita de esquemas já usados, mas que não falha em entregar faixas prontas para mover pistas. Regret, que abre o disco, lembra Scissors Sisters nos vocais, “Robot’s got the feeling”, que com um bom remix vira hit fácil e “We are back” são destaques. Mas é só. O resto do disco é mais pretensão do que criação. Mais interessante é dar um click nos links acima e conhecer os originais.
Tirando seu nome do famoso filme dos anos 80 “Ladyhawk”, que aqui no Brasil se chamou “O Feitiço de Áquila”, a cantora australiana Pip Brown usa o seu primeiro álbum, homônimo, para render uma grande homenagem aos – adivinhem... – anos 80. Seu synthpoprock palatável tanto para rádios quantos para ipods mais indies, soa agradável aos ouvidos e diverte enquanto tenta simular uma leve rebeldia roqueira. O disco daria um compacto sensacional se só tivesse os hits “Paris is Burning” e “Dusk till Dawn”. Mas a seu favor conta o fato de ter outras faixas bem bacanas como “Manipulating Woman”, “Back of the Van” “Morning Dreams” e “Professional Suicide”, que parece bastante com “Believe Achieve” do Cansei de Ser Sexy. Um disco leve e legal de ouvir descompromissadamente. Se você não tiver problema com cópias, é claro.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
TV on the Radio - Dear Science

Pois bem, minha relação de desconfiança com a banda cessou desde a primeira audição do seu novo lançamento: Dear Science. Um disco focado, mais pop, altamente melódico, onde o experimentalismo – mínimo, diga-se – não soa nunca como uma atitude pedante, mas uma necessidade que casa perfeitamente com a intenção da música. Aqui, a proposta da banda parece mais clara, desde a bela faixa de abertura “Halfway Home” passando pelo drum’n’bass rocker de “Dancing Choose”, o impagável funk de “Golden Age”, o afro beat de “Red Dress” até o fechamento com “Lover’s Day”, nada é demais nem sobra na costura. Enfim, um grande disco que, ao contrário do anterior, merece estar em muitas listas de melhores do ano.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
MOMO - Buscador

Um dos melhores discos nacionais de 2008 tem nome de GPS, cheiro de anos 70, ecos de Clube da esquina e, acreditem, influência de Geraldo Azevedo. É Buscador, segundo disco do Momo (aka Marcelo Frota). Ele vem para salvar um ano pobre de bons lançamentos nacionais, de coisas que realmente valham a pena. É preciso ser pedra para não se encantar com esse folk mineiro-nordestino delicado e melancólico.
Ex-Fino Coletivo, Marcelo Frota resolveu seguir o seu caminho sozinho para ter tempo de divulgar seu projeto pessoal, o Momo. Acertou em cheio. Aqui, nada lembra a sua antiga
(e fraca) banda. O papo sai do groove forçado e sem graça do Fino para a introspecção de uma tarde cinzenta repleta de tristezas e sentimentos enviesados. Se o disco anterior, Estética do Rabisco, já chamava atenção por sua poesia tocante, esse chega para confirmar o seu talento.
Da primeira faixa “É preciso Ser Pedra” até a última “Fin” desfilam 10 belas canções capazes de surpreender ouvidos atentos e ávidos por substância musical de qualidade. Nelas, Momo é capaz de uma releitura personalista do folk e da MPB dos anos 60 e 70 que não se limita a baixar a cabeça para as suas influências.
“Se eu pudesse esconder toda amargura/ se eu pudesse mudar a direção/ Quando o peito me aperta eu me sinto criança/ me lembro do dia em que fomos irmãos” canta ele em “Irmãos”. Sua nostalgia é embalada por uma melodia que poderia estar no ‘disco do tênis’ de Lô Borges ou até mesmo no já citado Clube da Esquina.
Se as letras expõem as sua fraturas emocionais e deixa transparecer uma certa impotência em relação à tristeza, momentos de claro otimismo também são vistos por aqui. Um exemplo desse embate é - ironicamente - a excelente faixa “Tristeza”, onde ele se reafirma cantando versos como “...o sol nascerá...” e “tristeza de bar não vou te abraçar”. Melodia afinadíssima e guitarras psicodélicas acompanham essa delicada luta. Outro bom momento que merece destaque é o folk meio Beatles rural de “Se Você Vem”, com direito a palminhas e clima animado.
Costurando busca e dor no mesmo discurso, como faces diferentes da mesma moeda, o Momo fez um cd coeso, cheio de boas músicas e que merece uma boa ouvida.
Sabe toda aquela atenção que a mídia vem dando para artistas como Vanguart e Malu Magalhães? Deveriam dar pra esse cara.
Ps: O cd está disponível para ser baixado de graça até o dia 31/9 no site do Momo. Se eu fosse você baixava.
Pra ouvir:
http://www.myspace.com/momoproject
Para baixar:
http://www.listentomomo.com/index.php
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
E nós chegamos ao fim

Assim começa o livro “E nós chegamos ao fim” do escritor americano Joshua Ferris, recém lançado no Brasil pela Nova Fronteira. O autor narra com acidez e fino sarcasmo o cotidiano de uma agência de publicidade. Principalmente o setor que normalmente é chamado cérebro da empresa: o departamento de criação. Suas personagens, extremamente realistas, são publicitários frustrados, individualistas e à beira de um ataque de nervos com o estouro da bolha das empresas .com. Todos temem que a crise econômica advinda daí ceife seus cargos e os ótimos salários e benesses a que estão acostumados. Com uma prosa precisa, fluida, sem carregar em estilismos, o escritor vai construindo um ambiente onde o pânico e a paranóia da demissão imperam, pois ninguém quer ser próximo da lista. Longe de fazer um livro corporativo, Ferris mostra com a sua escrita um universo cruel, uma realidade onde o indivíduo existe para ser empurrado ao limite, na maioria das vezes pela dominante filosofia do consumismo. Aqui não há só algozes nem só vitimas. Ambos se equiparam. Uma saída possível seria retomar os ideais de liberdade e volta ao essencial, à natureza de escritores como Whitman, Thureau e Emerson – citado no início do livro.
domingo, 14 de setembro de 2008
++


quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Solomon
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Jimpster - Rmeixes

Jimpster é um dos caras mais criativos da house music. Desde os seus momentos mais deep, até quando transita por estilos diversos (broken beat, nu jazz) nunca perdeu o rebolado da “real house music”. Lançou uma das melhores faixas de deep house do ano “Momma’s Groove” de incendiar qualquer pistão. Basta baixar a agulha para o efeito devastação ser sentido. Em 2008, o DJ, que é dono do Freerange Reords, lançou também Rmeixes, um cd duplo (um deles mixado) com seus remixes de
Para ouvir:
http://www.myspace.com/jimpster
Ted & Francis
Formados na Austrália, ambos transitam no campo do eletro/synth pop que já se tornou a marca registrada do som feito naquele país, casa do Cuty Copy, Midnight Juggernauts, Presets, etc. Ao contrário do Like Woah, mais eletrônico, sintético, o Ted & Francis aposta muito mais na força das melodias e nos vocais pop. Recentemente assinaram com o selo francês Kitsuné e integram a 6ª coletânea da gravadora – prestes a ser lançada e nomeada como The Melodic One.
A Kitsuné é conhecida por ser ponto de referência para muita gente, mas atualmente anda em baixa entre os fãs por conta de uma repetitividade meio indulgente no que anda produzindo. O Ted & Francis é uma boa aposta. O som pode não ser algo que vai mudar o mundo, mas, dançante e pra cima, dá um certo refresh na formula do estilo que fazem. Ficaram conhecidos nos blogs de música pela faixa “Erlend”. Além dela, há poucas informações sobre o projeto na net e apenas 3 faixas disponíveis no myspace deles. Não sei se vai vingar, mas vale a pena dar uma escutada, pois tem potencial para tanto.
Para ouvir:
http://www.myspace.com/tedandfrancis
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Armandinho no Justice?
Quem conhece o carnaval da Bahia sabe que tem umas horas no desfile de trios em que figuras como Armandinho, Pepeu Gomes e até mesmo Cid Guerreiro (ilari-lari-lariê) tentam mostrar seus dotes guitarrísticos e algum conhecimento de “rock” em “altos” solos de guitarra no meio da festa de momo. Geralmente é um momento saco em que ninguém dança, todo mundo finge ser eclético e super aberto a novas tendências no reino da axé-music. Esses solos geralmente são super ‘inspirados’ no virtuosismo de grandes “feras” do rock como Jimmy Page, Richie Blackmore e até Malmsteen (Durval do Asa...). Bem, parece que o Justice ouviu uma dessas sessions e resolveu fazer uma música super inspirada nos caras: Planisphere. É dividida em partes 1, 2, 3 e final (sinfonia?) e a parte final é exatamente a que mais tem cara de Cid Guerreiro. Alias, o Justice nessa de ser roqueiro as vezes vira uma coisa meio hard farofa...
Para ouvir:
http://www.myspace.com/etjusticepourtous
terça-feira, 2 de setembro de 2008
The Twelves - Episode II

01 Zeigeist - Humanitarianism (The Twelves Remix Replay)
02 Radiohead - Reckoner (The Twelves Replay)
03 Mirwais - Naive Song
04 Of Montreal - Gronlandic Edit
05 David E. Sugar - To Yourself
06 The Virgins - Rich Girls (The Twelves Remix Replay)
07 Daft Punk - Voyager
08 Jupiter - CHIP
09 Fleet Foxes - White Winter Hymnal (The Twelves Replay)
10 Metronomy - Heartbreaker
11 The Twelves - Works for Me (The Twelves Replay)
12 Lykke Li - Dance Dance Dance (The Twelves Replay)
Para ouvir:
http://www.myspace.com/thetwelves
Para baixar o mix:
Episode II
Little Boots e Fan Death - Já vi esse filme antes...
Para ouvir:
http://www.myspace.com/ladyhawkerock
http://www.myspace.com/littlebootsmusic
http://www.myspace.com/fandeath
domingo, 31 de agosto de 2008
Fleet Foxes

A banda é formada por 5 caras de Seattle, terra do Nirvana e do indefectível grunge, lança pelo Sub pop, mas segue uma linha completamente oposta. Ao invés do tédio dilacerante e da angustia do fim da infância, da necessidade de encarar uma vida de responsabilidades e problemas, aqui predomina uma busca pelo desejo de quietude e paz. Uma fuga da realidade tecnológica massacrante para um mundo idealisticamente rural. Como diria, ironicamente, o Husker Du: zen-arcade. O bucolismo de músicas emblemáticas como “Meadowlarks”, “Tiger Montain Pesant Song” e até mesmo “English House” (do ep de estréia da banda “Sun Giant”) deixam isso bem claro. O folk é a pedra fundamental na construção desse som. Uma contextura sonora delicada que nos transporta para esse universo campestre onde a banda escolheu se refugiar.
O “sol oscilante na limpidez dourada do céu” de que eles falam na faixa de abertura do disco, “Sun it Rises”, se traduz na trama dos violões dedilhados com apuro e cuidado. Echos de Byrds, Fairport Convention, Love, Simon & Garfunkel, Joni Mitchell, Crosby Stills & Nash, Buffalo Springfield, Neil Young e Beach Boys são ouvidos em todas as musicas. A esse universo folk dos anos 60 e 70, influências assumidas pelos integrantes - que dizem ter crescido ouvindo os discos dos pais - a banda acrescenta ainda sonoridades que remontam à música medieval. Essa, aliás, foi a primeira coisa que me chocou positivamente no som do Fleet Foxes. E a pintura de Pieter Bruegel na capa do disco deixa bem clara essa influência. Se todo esse escapismo pode parecer numa primeira leitura com sintoma de um hippismo tardio, na prática se converte numa posição clara dos caras de demarcar seu espaço a partir de suas influências sem mascará-las com pretensas doses de modernismo. Algo bastante incomum na cena hoje em dia - principalmente após a ascensão do “eletroindie”.
O cd atinge o seu ápice numa sequência matadora de músicas belíssimas, que começa com a já citada “Tiger Mountain...”, “Quiet Houses” - onde percebo ecos de Clube da Esquina e da cena mineira dos anos 70 - e “He Doesn’t Know Why”. Mas tem mais. Tem a delicadeza instrumental de “Heard Them Stirring”, o lamento de “Your Protector” e o universo ‘blackbyrdiano’ a La Beatles de “Meadowlarks”. Os vocais harmonizam com perfeição e virtuosismo raros em bandas de rock atuais transformando a audição em uma experiência quase gospel.
Com apenas 2 lançamentos, talvez ainda seja cedo para dizer, mas o Fleet Foxes parece bastante empenhado em construir um interessante ponto de fuga dentro do beco sem saída em que transformou o folk. Pode acreditar.
Para ouvir:
http://www.myspace.com/fleetfoxes
Para conhecer mais:
http://www.subpop.com/bio/fleet_foxes
Para baixar:
http://www.mininova.org/
http://thepiratebay.org/
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Flying Lotus - Los Angeles

Primeiro vamos às devidas apresentações. Um pouco que sei sobre o cara por trás do projeto. Seu nome é Steven Ellison, mora em Winnetka, Califórnia, e é sobrinho de Alice Coltrane - esposa, colaboradora e guardiã do legado do Coltrane que você deve estar imaginando, o John, gênio do jazz que dispensa apresentações. Para sobreviver Steve se vira como DJ e já fez muita trilha - a maioria não creditada a ele - para o divertido cartoon Adult Swim.
Flying Lotus se define como produtor de hip hop, mas sua musicalidade vai além, muito além. Incorporando à carga genética do jazz que traz no sangue, o funk e r&b dos anos 70, o experimentalismo abstrato do IDM, as visões de futurismos nublados do muzak pop dos anos 60 e, claro, os fundamentos do mais underground hip hop, pois sem ele a coisa não funcionaria. O som resultante dessa gama de influências cabe perfeito sob o rótulo (de qualidade, diga-se) Warp, uma das mais prestigiadas gravadoras independentes do mundo. Na estante da sua casa dedicada ao selo - ah, vai, toda casa tem uma...- , seus discos poderiam figurar ao lado dos Profuse 73, Nightmares on Wax, Jamie Lidell e, até mesmo, nos momentos de ambiências mais pastorais, Boards of Canadá. Também é bastante associado aos igualmente underground hips Madlib e J Dilla.
O seu mais novo lançamento chama-se Los Angeles, e junto com o seu cd sua estréia 1983 (2006) e os eps Reset (2007) e L.A Ep 1x3 (2008) compõem a sua discografia.
Em Los Angeles, Flyin Lótus aprofunda as experimentações do 1983. Seus teclados soam ainda mais viajantes e os seus samplers pouco orgânicos são distorcidos até alcançarem uma certa dramaticidade musical. O resultado, ao contrário do que se possa imaginar pela descrição, é belo. Surpreendente e de uma leveza capaz de sensibilizar uma alma cansada e musicalmente cética, como a minha...
O disco abre com a climatologia em alta rotação de faixas como “Brainfeeder” e “Breath . Something/ Sellar Star”. A partir daí arquitetura sonora vai sendo manufaturada gradual e cuidadosamente para que você seja absorvido por esse universo de sons envolventes e misteriosos. Para quem já conhece, as comparações com os momentos mais instigantes do Profuse 73 são inevitáveis. O universo rítmico que gerou o artista ganha corpo em faixas como “Melt!” e “Comet Course”. A primeira mais tribal, a segunda jazzy e sincopada. Beats sintéticos e texturas oníricas sobressaem ainda mais em “Golden Godiva”. Fluxo musical. Chiados de vinil antigo e frequências de rádios mal sinalizadas, como se captadas de um espaço distante, perpassam a maioria das faixas. Pela minha leitura soam como lembranças de fundamentos do hip hop old school os chiados. As freqüências mal sintonizadas remetem ao estado atual das nossas rádios num dial infectado e dominado por tanto lixo musical. Na sequência, o popismo cerebral de “Parisian Goldfish” surge encantador, calorento, dançante e perfeito até para uma disputada roda de break – underground!
O disco fecha com a sutileza jazzy, noturna, de “Testament” evocando uma Billie Holiday ambígua nos vocais de Gonja Sufi e o singelo lulaby de “Autie’s Lock/ Infinito”. Depois disso, o som evapora, o silêncio toma conta, mas aí, sorry, você já foi capturado. Flaying Lotus. Vale muito a pena conhecer.
Para ouvir:
http://www.myspace.com/flyinglotus
Para conhecer mais e jogar:
http://www.flying-lotus.com/destroy/