
A banda é formada por 5 caras de Seattle, terra do Nirvana e do indefectível grunge, lança pelo Sub pop, mas segue uma linha completamente oposta. Ao invés do tédio dilacerante e da angustia do fim da infância, da necessidade de encarar uma vida de responsabilidades e problemas, aqui predomina uma busca pelo desejo de quietude e paz. Uma fuga da realidade tecnológica massacrante para um mundo idealisticamente rural. Como diria, ironicamente, o Husker Du: zen-arcade. O bucolismo de músicas emblemáticas como “Meadowlarks”, “Tiger Montain Pesant Song” e até mesmo “English House” (do ep de estréia da banda “Sun Giant”) deixam isso bem claro. O folk é a pedra fundamental na construção desse som. Uma contextura sonora delicada que nos transporta para esse universo campestre onde a banda escolheu se refugiar.
O “sol oscilante na limpidez dourada do céu” de que eles falam na faixa de abertura do disco, “Sun it Rises”, se traduz na trama dos violões dedilhados com apuro e cuidado. Echos de Byrds, Fairport Convention, Love, Simon & Garfunkel, Joni Mitchell, Crosby Stills & Nash, Buffalo Springfield, Neil Young e Beach Boys são ouvidos em todas as musicas. A esse universo folk dos anos 60 e 70, influências assumidas pelos integrantes - que dizem ter crescido ouvindo os discos dos pais - a banda acrescenta ainda sonoridades que remontam à música medieval. Essa, aliás, foi a primeira coisa que me chocou positivamente no som do Fleet Foxes. E a pintura de Pieter Bruegel na capa do disco deixa bem clara essa influência. Se todo esse escapismo pode parecer numa primeira leitura com sintoma de um hippismo tardio, na prática se converte numa posição clara dos caras de demarcar seu espaço a partir de suas influências sem mascará-las com pretensas doses de modernismo. Algo bastante incomum na cena hoje em dia - principalmente após a ascensão do “eletroindie”.
O cd atinge o seu ápice numa sequência matadora de músicas belíssimas, que começa com a já citada “Tiger Mountain...”, “Quiet Houses” - onde percebo ecos de Clube da Esquina e da cena mineira dos anos 70 - e “He Doesn’t Know Why”. Mas tem mais. Tem a delicadeza instrumental de “Heard Them Stirring”, o lamento de “Your Protector” e o universo ‘blackbyrdiano’ a La Beatles de “Meadowlarks”. Os vocais harmonizam com perfeição e virtuosismo raros em bandas de rock atuais transformando a audição em uma experiência quase gospel.
Com apenas 2 lançamentos, talvez ainda seja cedo para dizer, mas o Fleet Foxes parece bastante empenhado em construir um interessante ponto de fuga dentro do beco sem saída em que transformou o folk. Pode acreditar.
Para ouvir:
http://www.myspace.com/fleetfoxes
Para conhecer mais:
http://www.subpop.com/bio/fleet_foxes
Para baixar:
http://www.mininova.org/
http://thepiratebay.org/